Asad parece doce na lista de notas e sai bem mais seco do que se espera, e é justamente esse desencontro que o define. A abertura tem pimenta preta e um abacaxi que dura pouco — quinze, vinte minutos —, e quem assume em seguida é o café: amargo, torrado, sem açúcar, apoiado em tabaco e patchouli.
O corpo é a melhor parte. Café e íris juntos dão uma textura meio empoeirada, quase de couro, e o tabaco puxa tudo para um lado adulto que a abertura frutada não anunciava. O fundo é grande — baunilha, âmbar, labdânum, benjoim e madeira seca — e é ele que sustenta o rastro: cremoso o bastante para não ficar áspero, seco o bastante para não virar sobremesa.
Em desempenho ele é dos mais consistentes da faixa. Frasco recém-aberto entrega em torno de 8 horas; depois de algumas semanas descansando, os relatos falam em 12 e passam disso, com projeção forte nas duas primeiras horas e um rastro que persiste na roupa até a lavagem. Duas ou três borrifadas bastam em qualquer situação fechada.
Use em noite fria, jantar, compromisso com hora marcada, outono e inverno. Evite em dia quente: o labdânum e o âmbar ficam pesados antes da metade do expediente, e o que era presença vira insistência. Também não é o melhor perfume de escritório aberto — ele não passa despercebido, e não deveria mesmo.
O parentesco com o Dior Sauvage Elixir é real, mas não é cópia: o Elixir tem uma gravidade escura de alcaçuz e madeira que o Asad não persegue, e o árabe compensa indo para especiaria, baunilha e âmbar. Quem quer exatamente o original vai sentir a diferença nos primeiros minutos; quem quer aquele território de perfume com uma leitura mais quente costuma preferir este. Não é para quem procura frescor, e não é para quem tem pouca tolerância a perfume que ocupa espaço.
Noite fria, jantar e compromisso com hora marcada
Dior Sauvage Elixir

