Asad Bourbon abre com lavanda e pimenta rosa sobre a mirabelle, uma ameixa amarela pequena e ácida, e por três ou quatro minutos parece que vai ser um fougère qualquer. Não vai. A partir do quinto minuto o cacau começa a subir, e é ele que dá nome à coisa.
O centro do perfume é cacau com noz-moscada e davana — a davana é aquela erva que cheira a fruta fermentada e faz o conjunto parecer licoroso sem ter uma gota de álcool na fórmula. No fundo entra a baunilha bourbon, cremosa, com âmbar por baixo e um vetiver que segura o doce para que ele não escorra. Meia hora depois de borrifar, o que se sente é chocolate quente com especiaria, e é exatamente esse o apelo.
Desempenho fica entre 6 e 10 horas na pele conforme o relato e a pele, com projeção boa nas primeiras horas e um comportamento bem melhor no frio do que no calor — como todo doce pesado, ele cresce quando a temperatura ajuda e empapa quando ela atrapalha.
Frio, noite, encontro, jantar de inverno: é aí que ele funciona. Em dia quente, em sala fechada ou antes do meio-dia, o cacau com baunilha fica adocicado demais e cansa rápido — inclusive quem está usando.
A referência mais citada é o Azzaro The Most Wanted Parfum, e a proximidade é de vibe, não de cópia: pega uns 85 a 90% da ideia, com mais cacau e mais licor, uma lavanda um pouco mais fresca e menos requinte no caramelo. Há quem sinta também um ar de Bad Boy Extreme ou de JPG Le Male Elixir, o que diz bastante sobre a família em que ele joga. Não serve para quem quer perfume de trabalho, nem para quem não gosta de doce declarado.
Frio, outono/inverno, noite, balada e encontros. Doce-especiado, bem sedutor.
Azzaro The Most Wanted Parfum/Intense. Alguns sentem tambem um ar de JPG Le Male Elixir.

