Asad Elixir é a versão esfumaçada da família, e a diferença aparece já na abertura: pimenta rosa e açafrão com uma toranja que corta o doce, num começo que é mais afiado do que o do Asad original. São dez ou quinze minutos de brilho antes de o perfume assentar.
O corpo é onde ele mostra a que veio. Tabaco e cedro entram junto com a baunilha e formam aquele contraste que faz o gênero funcionar — o doce puxando para a sobremesa, a madeira e a folha seca puxando de volta. No fundo, o olíbano coloca um fio de incenso, o cashmeran dá o aveludado e o patchouli com o âmbar seco fecham a conta. É um perfume sedutor no sentido literal: foi construído para ser sentido por outra pessoa.
O desempenho é excessivo, e isso é elogio e alerta na mesma frase. Os relatos falam em 8 a 12 horas na pele, com projeção muito forte nas duas ou três primeiras horas e permanência de dias na roupa. Uma borrifada a mais transforma um bom perfume num incômodo de elevador; comece com duas e só suba se estiver ao ar livre.
Ele é de frio, de noite e de balada. Outono e inverno, jantar, festa, encontro. Em calor ele fica denso e insistente, e em escritório fechado é indelicado com quem senta ao lado.
A referência é o Hugo Boss Bottled Absolu, e a semelhança é alta — a leitura mais citada gira em torno de 90%. As diferenças que importam: o Asad Elixir é mais doce e não tem o lado animálico do Absolu, o que para muita gente o torna mais fácil de usar e para outra o deixa menos interessante. Há também um eco de Sauvage Elixir na abertura. Não é para quem quer discrição, e não é para quem já achou o Asad original forte demais — este é mais.
Frio, outono/inverno, noite e balada. Esfumacado e sedutor, projecao muito forte (10h+).
Hugo Boss Bottled Absolu, com um toque de Dior Sauvage Elixir. Nao e copia perfeita: e mais doce e nao tem o lado animalico do Absolu.

